Com a crise sanitária que assombra o mundo, a indústria do entretenimento está longe de voltar ao seu funcionamento normal. Entre outras denominações, a música é cultura, é arte e – advinha só: também é entretenimento.

Quando analisamos a situação de maneira racional, precisamos de poucas contas para entendermos que o setor de espetáculos será um dos últimos a voltar ao normal. Afinal de contas, uma apresentação ao vivo é o tipo de evento que mais reúne aglomerações de pessoas.

Esta conversa pode parecer apocalíptica demais, meu amigo e minha amiga, mas não posso “tampar o sol com a peneira” ou até mesmo afirmar que a normalidade está logo ali na esquina. Seria uma atitude, no mínimo, leviana de minha parte. Vamos, então, dar nome certo às coisas?

Artistas fazem live durante pandemia do covid-19

É prudente a gente começar a cultivar os costumes de fazer e de consumir lives (Foto/Pexels)

Diante do nosso momento presente, precisamos encontrar alternativas. O show tem que continuar! O público não pode ficar sem música, o músico não pode ficar sem mostrar seu trabalho e, naturalmente, ganhar o pão de cada dia. Na atual conjuntura dos fatos, as lives têm levado o “artista aonde o povo está”. É o jeito mais prazeroso de curtir um som? Para alguns, não, mas é não mesmo! Todavia, “é o que tem para hoje”.

O YouTube é a plataforma que mais se destaca na transmissão do formato live. Este texto reúne 4 diretrizes que o Google tem para que você possa profissionalizar as suas transmissões. Não há garantias que seus acessos vão, da noite pro dia, crescer de forma exponencial. A intenção é te ajudar a promover upgrades na sua carreira e, consequentemente, entregar o melhor produto possível ao seu público.

Vamos nessa?

1. Use o codificador

Existem três formas de fazer streams no YouTube: a partir de uma câmara Web, um dispositivo móvel ou um codificador. Os dois diferenciais do codificador são:

  1. Possibilidade de utilizar hardware de áudio e vídeo externo (equipamentos que melhoram o som e a imagem)
  2. Gerir uma produção avançada (como várias câmaras e microfones)

Um codificador converte o seu conteúdo num formato digital para streams no YouTube. Alguns codificadores são aplicações de software incluídas no seu computador, enquanto outros você precisa baixar. Algumas opções indicadas são o OBS, o Stage Ten, o Streamlabs, o XSplit e o Wirecast.

Para aprender a configurar o codificador, você só precisa conferir o tutorial do Google.

2. Conexão dedicada

A plataforma recomenda, e isso é muito sério, o uso de uma conexão de internet inteiramente dedicada à transmissão. A divisão de conexão entre dispositivos torna a sua rede mais pesada.

Cinegrafista profissional filma violonista e guitarrista

Sua conexão com a internet precisa estar toda dedicada à transmissão da live (Foto/Pexels)

Consequentemente, a conexão pesadona dificulta a rota entre o codificador e o YouTube não tem banda suficiente para uma boa transmissão.

Backup da transmissão

O caminho da transmissão é: codificador-internet-provedor-YouTube. Como algum componente da equação pode falhar, o backup simultâneo da transmissão pode salvar a live.

A lógica é: se um sinal cair, o outro mantém o link ativo.

Para o backup funcionar legal, é preciso enviar o áudio e o vídeo para dois dispositivos ao mesmo tempo. Esses dispositivos farão o mesmo caminho da transmissão, sendo um primário e o outro backup. Os dois fluxos devem acontecer por meio conexões diferentes, isto é, um usando internet via fibra e outro o tradicional 4G.

3. Escolha a latência adequada

Você sabe o que é latência? Palavrinha diferente, mas de total importância para fazer uma live. Latência é o atraso entre a câmera capturar um evento e o evento ser exibido aos espectadores. São três opções, conforme descrito abaixo:

  • latência normal:  é indicada se você não planeja interagir muito com o público. Essa opção é a configuração de qualidade mais alta para os espectadores, pois possui a menor quantidade de buffer do visualizador. Todas as resoluções e recursos ao vivo são suportados na latência normal.
  • baixa latência: indicada para interatividade quase em tempo real. Se você conversa ao vivo com os espectadores, essa é a latência indicada. Desta forma, quando sua live for para bater papo e tocar menos, use a baixa latência 😉 Esta configuração não suporta resolução 4K. 
  • latência ultra baixa: melhor para transmissões ao vivo altamente interativas com envolvimento em tempo real. Esta opção é indicada se você deseja maximizar o envolvimento com seu público. Esta configuração não suporta as resoluções 1440p e 4K.

Conclusão: a latência normal é a mais indicada para você fazer a sua live musical.

4. As melhores taxas de bits e resoluções

Faça o máximo possível para garantir que sua transmissão ao vivo seja de alta qualidade. Certifique-se de escolher uma qualidade que resultará em um fluxo confiável com base na sua conexão com a Internet. De acordo com o Blog da Tratore, fonte de inspiração para este texto, as escolhas ideais são:

  • Resolução: 720 ou 1080 pixels
  • Frame rate: preferência para 30 frames por segundo
  • Bitrate: para 720 pixels, o ideal é que esteja entre 1500 e 4500kbps; para 1080 pixels, 3000 a 6000kbps
  • Áudio: preferência para envio de qualidade AAC (envie sinal de áudio mesmo caso parte da transmissão seja em silêncio)

Atenção: fazer uma live não é só ligar a câmera do celular e dar os comandos de transmissão. Faça ensaios, teste as possibilidades de configurações e veja qual funciona melhor para seus equipamentos e conexões.

Mais dicas para suas produções de vídeo

Já que o nosso papo aqui é sobre dicas de produção de vídeo, não deixe de dar uma conferida nos outros posts da coluna Dicas de Carreira. Se liga só no naipe do conteúdo:

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