Assinar contrato com gravadoras estrangeiras é sonho de muita gente da cena indie brasileira. Afinal, já temos uma tradição de bandas independentes que repercutiram bastante lá fora, viabilizando turnês e conquistando séquitos de fãs gringos. 

De CSS à Sepultura, passando por Udora, Wry, Boogarins, Autoramas e Far from Alaska, tem muito som brasileiro que chegou a reverberar bastante para além-mar.

Pois é… Há uma cota que a galera na gringa se liga em nossos talentos. Isso faz com que muitas bandas já comecem querendo se dar bem no corre da carreira internacional. 

Mas será que procurar um selo ou gravadora estrangeira é mesmo a melhor forma de trilhar esse caminho? É isso que você vai descobrir neste artigo, se liga!

Ler o contrato com atenção é fundamental (Foto/Pexels)

Quem ainda precisa de contrato com gravadoras estrangeiras?

Foi-se o tempo em que as gravadoras lucravam horrores com altíssimas vendagens de CDs e DVDs. Com a revolução das mídias digitais, essas mídias físicas foram relegadas ao lugar de itens de colecionador. 

Anteriormente, as grandes gravadoras detinham os meios de produção e distribuição de fonogramas (mídias de áudio como vinil, CD e K7) e videogramas (mídias audiovisuais, VHS e DVD). Logo, elas detinham o monopólio da indústria e praticamente eram a única via pro sucesso.

Além disso, acesso a estúdios profissionais era privilégio exclusivo dos artistas contratados por essas empresas. No entanto, houve uma verdadeira revolução que desestabilizou esse processo. Sobretudo no que se refere ao compartilhamento de arquivos mp3 e popularização dos estúdios caseiros.

Afinal, as tecnologias de produção musical em software (DAWs e seus plugins) estão ao alcance de todos. E, surpreendentemente, o resultado estético dessas produções caseiras está aos poucos se tornando o padrão da indústria. Aliás, no ano passado, o Grammy de melhor álbum do ano foi dado a uma produção caseira

Assim também, todo um gênero de música pop acabou se formando em função dessa nova forma caseira dos artistas viabilizarem suas gravações: o “bedroom pop”. O estilo é baseado nessa estética intimista e amadora de produção musical. Então, o conceito é fazer música em casa mesmo, com o equipamento que você tem.

O sucesso da cantora estadunidense Clairo e da banda norueguesa Boy Pablo ilustra o potencial do bedroom pop. Ou seja, dessa galera que se grava em casa e se divulga nas plataformas de streaming, tudo de forma totalmente autônoma.

Então, sim: felizmente hoje é possível conquistar o mundo com a sua arte sem depender de grandes corporações como no passado.

Quais são as vantagens de um contrato com gravadoras estrangeiras?

Sendo assim, por que então artistas do mainstream e até alguns do circuito alternativo ainda têm parcerias com selos maiores e gravadoras? Bem… A resposta é simples: elas ainda têm uma grande estrutura de marketing e produção. 

Além disso, podem gerenciar sua carreira com estratégias mais robustas de divulgação do seu material. E isso vale ainda mais para as gravadoras estrangeiras. 

Pode ser que o seu público alvo não seja o brasileiro, a princípio. Aliás, há muitos projetos musicais, inclusive com a galera cantando em inglês e tudo, que têm mais a ver com o mercado lá de fora. E está tudo bem.

Saiba para quem você canta (Foto/Pexels)

E, olha só: letras em inglês nem são mais pré-requisito. A galera do Boogarins que o diga, pois a neopsicodelia da banda goiana conquistou o público de rock alternativo norte-americano. E os caras cantam em português.

No caso deles, o contrato com o selo norte-americano Oar foi fundamental pra que a banda acontecesse internacionalmente. A gravadora pôs os caras pra abrirem shows de grandes bandas como Guided By Voices. Além disso, deu todo o suporte que viabilizou a turnê de divulgação do disco “Sombrou dúvida”, lançado nos EUA em 2020.

Segundo o guitarrista Benke Ferraz, o contrato com o selo Oar foi vantajoso. Afinal, os lucros gerados com a vendagem do disco puderam ser investidos na promoção da carreira internacional da banda. Confira esse relato do músico na conferência “Minha carreira no exterior”, promovida pela SIM São Paulo.

E as desvantagens, quais são?

Antes de mais nada, é preciso lembrar que a parceria do artista com uma gravadora nem sempre dá certo. E não é raro que haja disputas judiciais entre as partes ou rescisões de contrato pouco amistosas.

Ou seja, sempre há chance de a gravadora não cumprir de forma honesta o seu papel de promoção e divulgação do seu trabalho. No entanto, nesse caso, como estamos falando de uma empresa estrangeira, você terá que arcar com os custos de uma disputa judicial em um tribunal lá fora

Então se a empresa se recusar a firmar um distrato, a tentativa de rescisão do contrato por iniciativa do artista (e de forma unilateral), via processo judicial, sairá caro. É bem provável que um artista independente em início de carreira, por exemplo, nem consiga arcar com esses custos.

Seu público realmente está lá fora? Pense antes de firmar um contrato internacional (Foto/Pexels)

Assim, olhando pela perspectiva dos riscos processuais, uma gravadora nacional tende a ser um passo mais seguro. Pois, uma vez estando amparado pela legislação brasileira, eventuais rupturas serão invariavelmente menos onerosas.

Por isso, caso surja a oportunidade de trabalhar com divulgadores gringos, é imprescindível que se tenha cuidado redobrado na avaliação de cada cláusula contratual

Além disso, ter contrato com uma gravadora geralmente significa que você está confiando a promoção do seu trabalho exclusivamente a ela. Então, invariavelmente, ficará restrito às parcerias e ao alcance de mercado que a empresa em questão tem a oferecer.

Você pode se informar e tomar sua carreira nas mãos!

De qualquer forma, pesa também contra a escolha de se vincular a uma gravadora estrangeira, o fato de que as plataformas digitais de streaming são as mesmas no mundo todo. Por isso, é perfeitamente possível buscar meios independentes e autônomos de divulgação e promoção do seu trabalho musical hoje em dia.

Nessa perspectiva, é imprescindível que o músico ou artista atual seja multifacetado em suas competências. Quanto mais abrangentes elas forem, para além da música em si, melhor para a sua carreira. 

Em suma, firmar contrato com gravadoras estrangeiras deve ser um passo cuidadosamente pensado na sua trajetória. Ah! E falando nisso, pra te ajudar a encontrar as melhores estratégias para levar o seu trabalho ao grande público, nós aqui do Palco elaboramos estas dicas de carreira fresquinhas. Confere lá!