Surgida em Brasília, a banda Deserto Moai é um baú de situações interessantes. Além de defender as cores do rock progressivo, esses músicos sabem como usar de várias linguagens para prender a atenção de quem curte música. Para começar, se liga só na escalação do time:

  • Artur Bugarin – Sons fantásticos do espaço sideral (temos um tecladista por aqui?);
  • Pedro Caprini – Maremotos de frequências graves (o baixista, possivelmente);
  • Rafael Baêta – Ópera e cordas de aço (voz principal e violão, provavelmente);
  • Tom Filho – Trovões ressoando na montanha (hummmm… tá com pinta de baterista);
  • Wellington Vali – Poderosas melodias do núcleo da Terra (eis o guitarrista e segunda voz).

Sim, a relação “membro x função na banda” descrita acima está correta! Além dessa saudável e prazerosa brincadeira com as palavras, esse quinteto faz um som realmente diferenciado.

Deserto Moai coloca rock progressivo de brasilia no mapa da cena autoral

Uma descontração conceitual no ensaio do Deserto Moai (Foto/Facebook)

Com letras em inglês e em português, a banda investe em canções sobre as “experiências do viver”. Entre outros temas, eles lidam com a relação do ser humano com sua própria mortalidade, com o tamanho de sua existência na vastidão do espaço e na imensidão do tempo e com a vida em sociedade. A sonoridade dos arranjos é uma mistura criativa, que passeia pelas expressões artísticas e vivências pessoais de cada integrante.

Após dois anos de trabalho, a banda apresenta seu álbum de estreia, Caravana. Ao longo de oito músicas autorais, o quinteto  vai do rock progressivo de Labyrinth, passa pela introspecção de Takers, e embarca na aventura conceitual da faixa Interstellar. A faixá que dá título ao álbum, inclusive, é uma grata mistura de folk americano atual com Clube da Esquina.

Caravana é o primeiro disco da banda brasiliense deserto moai

Deserto Moai estreia em grande estilo (Divulgação)

Com o senso visionário em dia, eles sabem como inovar. Quando fazem prog., por exemplo, estão mais perto do pouco badalado e muito relevante Marillion dos reciclados [mas lendários] Rush, Yes ou Jethro Tull. Em alguns momentos, conforme você pode confirmar no vídeo abaixo, o vocal promove uma audaciosa conexão entre Pearl Jam e Dave Matthews Band.

Apreciar o trabalho da banda Deserto Moai é uma experiência realmente sensorial. Além de soarem de forma singular, as canções apresentam mensagens reflexivas e, relativamente existenciais. Trata-se de um tipo de música que deve ser ouvida com corpo, mente e alma. No final da audição, desde que seus sentidos estejam atentos, você se sentirá um tanto quanto mais maduro. Afinal de contas, viver é ótimo e a obra desses caras nos ajuda a desvendar a complexa encenação que é a realidade.