Descolar um bom show… participar de um festival… tocar nas melhores gigs… São objetivos básicos na carreira de uma banda, não é mesmo?

Porém, sobretudo entre a turma da cena independente, o caminho das pedras nem sempre é fácil. Portas se fecham, todos dizem “não” e as apresentações ao vivo muitas vezes parecem um sonho distante.

Mas você já parou pra pensar aonde está o problema? Será que os personagens da indústria são cruéis ou há algo de errado na conduta dos artistas juntos aos organizadores e programadores de evento?

Profissionalismo artístico vai além de saber tocar um instrumento

Ter uma banda nunca é apenas colocas as mãos nos instrumentos musicais (Foto/Pexels)

Para responder tais perguntas, contamos com a ajuda do nosso amigo Rafael Chioccarello, do site Hits Perdidos, que nos apresentou dicas preciosas vindas de profissionais importantes para a celebração e manutenção da música independente.

Roberta Youssef – Agência Crua

Roberta é produtora cultural e curadora com foco em música na CRUA Música, agência que agia a cultura em São Paulo.

Qual a abordagem mais “bizarra” já teve que passar enquanto programador?

Roberta: acontece de entrar em contato com o produtor/a da banda querendo um show e ele tentar te empurrar outra banda do casting, fechar um “pacotão”. Eu sei que faz parte da venda dos artistas, mas as vezes ele/a força a barra e fica difícil sair dessa situação.

Acontece também do produtor/a demorar pra te responder quando eu estou atrás de uma data, mas quando ele/a quer uma data, te liga todos os dias.”

Qual o erro mais comum que os artistas (ou produtores) cometem na hora de negociar (ou agendar) um show?

Roberta: às vezes fechamos um show por telefone e, apesar de falarmos de todos os detalhes, na hora de formalizar aparecem alguns mal entendidos. Principalmente quando a gente fecha direto com o artista que não se atenta muito aos detalhes de produção. É muito importante deixar tudo às claras.

Para você qual a melhor maneira de fazê-la?

Roberta: “o combinado, não sai caro”. O melhor é falar de tudo o que estiver relacionado ao evento, desde a negociação, número de convidados, horários, até prazo para pagamento.

No dia do evento, passar por qual tipo de situação mais te irrita?

Roberta: o improviso faz parte da vida de um produtor, não tem jeito. É chato quando acontecem situações que fogem do nosso controle imediato, como por exemplo acabar a luz, e o artista/produtor não ter paciência de esperar a gente resolver. A gente vai resolver, só precisa ter calma (risos).

Qual o perfil de artistas que te agrada na hora de realizar a curadoria?

Roberta: é legal quando o artista entende a parceria está na alegria e na tristeza. Imprevistos acontecem e não adianta desesperar ou problematizar ainda mais. O melhor perfil é aquele que agrega, soma. Afinal, o sucesso do show é de interesse dos dois lados, sempre.

Tocar em grandes eventos é o sonho de muitos artistas

Os grandes shows são mais acessíveis do que você pensa (Foto/Pexels)

Katia Abreu – Dia da Música

Katia é produtora artística do Dia da Música, festival em rede que envolve dezenas de palcos de todo o país. Jornalista e produtora, ela ainda integra o júri especializado do Prêmio Multishow de Música.

Qual a abordagem mais “bizarra” você já teve que passar enquanto programadora?

Katia:  acho que nunca rolou nada muito bizarro. É natural que as pessoas peçam atenção pro trabalho que estão fazendo. Rola muito gente que vem falar pra mim que nunca tocou no Dia da Música, mas acha “o festival foda” e tal; eu pergunto sempre: “ué, por que você não propõem um palco, então?” e, invariavelmente, descubro que a pessoa nem sabe como o festival funciona.

Qual o erro mais comum que os artistas (ou produtores) cometem na hora de negociar (ou agendar) um show?

Katia: maior erro é não pesquisar qual o conceito do evento ou espaço e sair mandando a mesma coisa pra todo mundo. É importante entender se o que você tá oferecendo faz sentido pro lugar/situação, se a abordagem tá adequada, tipo: tem eventos que tem que se inscrever pra participar; não vai adiantar nada mandar e-mail, porque tá indo no canal errado; ou mandar material de um grupo de samba prum festival focado em hardcore…”

Para você qual a melhor maneira de fazê-la?

Katia: tem que ser conciso. Pra mim é meio assim: um parágrafo que me desperte curiosidade de clicar no link e ouvir o som. E escolher muito bem esse link, tem que ser certeiro.”

No dia do evento, passar por qual tipo de situação mais te irrita?

Katia: nossa, muitas coisas são irritantes em dia de evento e até, por isso, a mais irritante de todas é quando alguém dá chilique. Além de deselegante e fora de moda, acho essa coisa “rockstar” de dar piti, fazer exigências supérfluas, ficar doidão e encher a paciência da galera, super desrespeitosa com quem tá trabalhando.”

Qual o perfil de artistas que te agrada na hora de realizar a curadoria?

Katia: cara, esteticamente gosto de coisas muito variadas e seria difícil definir um escopo, por assim dizer. Mas uma coisa em que piro é banda que é fácil de trabalhar (flui bem na comunicação, cumpre cronograma, é gentil, etc…) e enche show (tem boa conexão com público, se divulga direito…). Acho que isso é o sonho de todo programador.

Capitaneando a Casa do Mancha, Liu comenta que os homens têm resistência em bookar com mulheres (Foto/hitsperdidos.com)

Liu – Casa do Mancha

Liu atua como booker na Casa do Macha, um dos principais locais de shows de música autoral e independente na cidade de São Paulo.

Qual a abordagem mais bizarra já teve que passar enquanto programador?

Liu: são tantas abordagens bizarras que algumas até mudam de categoria, voltam pra “coisas normais” ou “mano, que que cê tá fazendo, cara? me respeita”. Tem algumas que eu nem respondo de tão estranho.

Teve uma pessoa que comentou numa foto minha do Facebook, de três anos atrás, “avisando” que tinha me mandado inbox. Claramente não respondi, ainda mais porque não conheço.

Rolou uma vez de uma pessoa que eu nunca vi nada vida veio me cobrar no meio de um rolê que eu não tinha respondido o e-mail dela, como se eu tivesse obrigação de saber quem ela era, banda e data que ela tinha proposto.

Existem aqueles homens que só trabalham com homens também. Chegam na casinha, querem falar com alguém que booka e quando sou apresentada a simpatia, e muitas vezes a pessoa, vai embora. Rola aquele famoso: “a hostess é quem programa?”. Complexo!

Qual o erro mais comum que os artistas (ou produtores) cometem na hora de negociar (ou agendar) um show?

Liu: acho que nesse quesito a gente sofre meio que dos mesmos problemas que jornalistas e assessores. Falta profissionalismo, informação e respeito.

Tem gente que manda e-mail de uma frase só, o famoso “fala galera, como eu faço pra tocar ai?”. Detalhe para o e-mail: normalmente é tipo nonono_star138@gmail.com. Como é que vou saber do que se trata?

O super comum erro de mandar proposta de show por e-mail com todas as casa copiadas, incluindo SESC.

Não se atentar que a casa só faz show de som autoral é bem normal também.

Tem aqueles sem noção que arranjam seu número em algum lugar e te ligam de madrugada, de manhã super cedo, mandam áudio quilométrico, e eu só penso: meu bem, se nem o banco, que é o órgão que cuida do seu dinheiro, tá disponível assim, imagina eu que nem ganhando tô!

De gente desorganizada e descompromissada o meio também tá cheio. Bandas que esquecem que marcaram show ou que não confirmam, não respondem e-mails, não divulgam o próprio role, e culpam a casa e o programador quando não sai do jeito que queriam. Eu ia falar previam, mas acho que esse povo nem previsão faz.”

Para você qual a melhor maneira de fazê-la?

Liu: Não precisa de muito, não. Um e-mail com um bom release, links para ouvir o som, proposta de data, são os que eu tenho dado atenção. Bem como os jornalistas, eu não to ligando muito pra quantos likes a banda tem na página do facebook, seguidores de instagram e tal. Eu quero ouvir a música, fazer a curadoria, entender se é possível e viável fazer o evento proposto.

Se apresente, mande seu material de forma que a gente não precise ficar caçando os links pra ouvir e manda uma ideia de role possível.

Ser atento e entender que as casas fecham as datas com antecedência é um fator importante também. Tem gente que manda e-mail na semana que tá vindo pra cidade pedindo um dia exclusivo. Não funciona assim. Planejamento é tudo. Existem casos que a gente pega a proposta e adapta pra ser um evento massa, com mais bandas e tudo mais.

No dia do evento, passar por qual tipo de situação mais te irrita?

Liu: banda que atrasa muito e/ou que aparece na hora, literalmente, de subir no palco. Banda que divide noite e coloca 40 nomes vips, sem respeitar os outros artistas.

Integrante arrogante e mal educado me irrita demais. Eu não sou mãe, babá, nem esposa de ninguém não. Homens que não me levam a sério por eu ser mulher e tentam resolver situações só com os homens que trabalham na casa.

Se você que tá lendo é assim: meu bem, existem informações que o bartender não vai saber. Só quem conversou com você por e-mail, enquanto você achava que era um robô ou um homem, vai saber te explicar. 2019 e essas coisas são mais comuns do que vocês imaginam.

Qual o perfil de artistas que te agrada na hora de realizar a curadoria?

Liu: gosto de gente organizada, informada e educada. Gente que já vem botando banca, joga cachê alto e não permite um diálogo são bem difíceis. Prefiro os disposto a construir uma coisa bacana. Acho legal quando o artista tenta dar uma levantada no próprio evento, que entende que não é um papel só da casa e que a carreira é dele.

Receber material que conta sobre construção e não números, que mostra o cuidado do artista com o próprio trabalho, me agrada muito.

Eu costumo fazer pontes de bandas e casas em São Paulo e fora da cidade, as que normalmente eu indico, agendo ou passo contatos de bandas que eu sei que tem esse perfil.

Cris Rangel – Lôca do Play Curadoria e Negócios Criativos

Cris é artista e curadora na Lôca do Play, empresa que presta serviços de curadoria artística e de conteúdo, além de direção artística de projetos.

Qual a abordagem mais ” bizarra j teve que passar enquanto programador?

Cris: as redes sociais nos colocam em situações bizarras, pois qualquer pessoa se acha no direito de mandar material pro seu inbox. Mas acho que a abordagem mais constrangedora foi pelo WhatsApp, onde uma artista começou e me mandar links de YouTube para falar do trabalho dela e eu pedi na primeira frase que me enviasse por e-mail… e ela continuou mandando links de redes sociais e fotos de Instagram, sem parar. Eu acabei me irritando, peguei antipatia com a artista e não consegui ouvir absolutamente nada que ela me enviou.

Qual o erro mais comum que os artistas (ou produtores) cometem na hora de negociar (ou agendar) um show?

Cris: o erro mais comum é não se colocar no lugar das casas de show e tentar chegar ao meio termo nas negociações. Fora o amadorismo das bandas/artistas mandarem materiais mal escritos, fotos ruins e não se engajarem na divulgação e cobrarem da casa o público.”

Agência Lôca do Play faz curadoria artística

Lôca do Play tem as melhores dicas para profissionalismo (Imagem/Facebook)

Para você qual a melhor maneira de fazê-la?

Cris: abordar o programador/curador e pedir e-mail, nunca tentar vender o trabalho por rede social. NUNCA.

Enviar e-mail com fotos em alta, de preferência fotos onde possa-se ver o rosto das pessoas ou arte coerente com o projeto, release escrito por jornalistas ou pessoas especializadas onde o texto não seja apenas elogios ao trabalho, mas que tenha análise crítica e descrição de referências e gêneros que o artista se enquadra, links de vídeo ao vivo com som com qualidade suficiente para entender a performance da banda ajuda 100% das contratações serem realizadas.”

No dia do evento, passar por qual tipo de situação mais te irrita?

Cris: atrasos e desrespeito à equipe técnica é o que mais me constrange em grupos que se dizem profissionais. Gentileza e respeito são fundamentais para que outras contratações ocorram.”

Joyce Guillarducci – Cansei do Mainstream

Joyce é CEO do Cansei Do Mainstream, site especializado em divulgar e descobrir novos artistas.

Qual a abordagem mais bizarra já teve que passar enquanto programador?

Joyce: banda que eu não conhecia e veio me cobrar uma resposta IMEDIATA sobre tocar numa festa do Cansei. A resposta foi… “não!”. Depois conversamos e tudo ficou bem, mas gente não cobrem, ninguém aqui trabalha pra ninguém, estamos todos juntos nessa e é isso.”

Cansei do Mainstream é um site que faz agitos culturais

Lucas Não Tem Amigos, durante noite do Cansei do Mainstream, realizada na Fauhaus, que também reuniu a banda Applegate. (Foto/Fernanda Carrilho Gamarano)

No dia do evento, passar por qual tipo de situação mais te irrita?

Joyce: duas coisas:

  1. Banda irresponsável. Imprevistos acontecem, mas já tive banda me ligando na hora do show e dizendo que o transporte atrasou, quando tinham acabado de vê-los bebendo num boteco.
  2. Casa que quer mudar sua programação. Seja a ordem das bandas, seja colocar um DJ que não estava previsto… fica aquele sentimento de desrespeito por todo o trabalho e cuidado que você teve pra montar o evento sabe.

Qual o perfil de artistas que te agrada na hora de realizar a curadoria?

Joyce: galera que está nessa pela música. É claro que todo mundo deseja (e merece!) reconhecimento e alcance monetário pelo seu trabalho, mas o mais importante é se divertir, fazer um som e aproveitar o caminho. O resto acaba sendo consequência.”

Luiz Ramos – A Obra

Luiz é músico e produtor n’A Obra Bar Dançante, reduto da cena independente de Belo Horizonte.

Qual a abordagem mais bizarra já teve que passar enquanto programador?

Luiz: bom, sempre tem gente que chega falando que a casa é “a cara da banda” ou vice versa, e quando vou ouvir o material, é banda cover, ou de estilos de música que não trabalhamos. Mas a mais bizarra mesmo foi uma banda que, já no e-mail de apresentação, enviou lista de exigências com pérolas tipo 2 toalhas pra cada integrante (porque eles “suam muito” no show), camarim com bebida à vontade e frutas diversas (porque precisam ter um espaço calmo pra concentrarem e trocarem de figurino) + passagem aérea, translado, hotel e jantar.

Uma outra que me lembro agora e que vale citar foi um artista que marcou o show e depois sumiu. Não respondia mais emails. Um belo dia resolvi chamar pelo meu messenger e a resposta foi que não saberia se faria mais o show, pois apareceu um outro evento mais interessante pra ele, muito próximo da data marcada comigo.

A Obra, bar dançante de BH, é uma espécie de CBGB

A Obra é um dos principais espaços para música autoral no Brasil (Foto/Facebook)

Qual o erro mais comum que os artistas (ou produtores) cometem na hora de negociar (ou agendar) um show?

Luiz: o principal, pra mim, é não alinhar com o produtor da casa o que a casa oferece seja em equipamento, seja em condições de pagamento, seja no que a banda tem direito no dia. Coisas básicas que, pra uma banda em turnê, por exemplo, são obrigatórias de estarem bem especificadas na planilha de gastos.

Para você qual a melhor maneira de fazê-la?

Luiz: diálogo aberto, franco mas sem estrelismo.

No dia do evento, passar por qual tipo de situação mais te irrita?

Luiz: atraso. Seja na passagem de, som estourando o tempo ou não chegando no horário, ou no show, não começando no horário combinado. Tem muita banda achando que tá fazendo um favor pras casas de show, quando, na verdade, todo mundo se fode quando um dos lados não cumpre o combinado.

Qual o perfil de artistas que te agrada na hora de realizar a curadoria?

Luiz: eu não me prendo esteticamente mais, hoje em dia. Atualmente, estamos iniciando uma nova fase, de trazer mais experimentalismo (tanto estético quanto revolucionário dentro do que a casa sempre trabalhou).

Então eu gosto muito de bandas de rock visceral, mas também de música brasileira, experimental, eletrônica, e por aí vai. A verve da casa é ser instigante, surpreendente, ousada e provocativa. E se deu match aí, com você que lendo, chega mais 🙂

A banda Autoramos já fez produções no Estúdio Aurora (Foto/Facebook)

 

Carlos Eduardo Freitas – Estúdio Aurora

Carlos é produtor no Estúdio Aurora, em São Paulo. O espaço trabalha com gravação (discos, jingles, trilhas), mixagem, masterização, ensaios, pocket shows e lutieria.

Qual o erro mais comum que os artistas (ou produtores) cometem na hora de negociar (ou agendar) um show?

Carlos: em geral, o que acho mais bizarro é as bandas nos procurarem em cima da hora achando que em duas semanas temos como receber um show deles. Isso, de uma banda que nunca ouvimos falar, que nunca vimos ao vivo, que nunca veio ao Aurora e que nem sabemos qual é e nem se tem público.

Em geral, fechamos a programação com pelo menos três meses de antecedência e fazemos questão de ouvir cada uma das bandas pra conhecer o trabalho e ver se tem a ver com a nossa proposta.

Bandas e produtores precisam também entender que fazer dois, três shows na mesma semana, no mesmo final de semana, na mesma cidade, é péssimo pra todo mundo. Poxa, toca em cidades próximas! Já que vieram de tão longe, tenta aproveitar ao máximo a região. Entendo que voltar pra casa e dizer que tocou num monte de lugar bacana é legal, mas ajuda tocar nesses lugares pra ninguém?

Estudio Aurora é um espaço para shows e gravações

In Venus lançando o álbum Ruína, no Estúdio Aurora (Foto/ Ciça Levenstein/hitsperdidos.com)

Para você qual a melhor maneira de fazê-la?

Carlos: se programar com antecedência. Sei que isso às vezes é difícil pra nós, brasileiros, acostumados a deixar tudo pra última hora. Também sugiro sempre, principalmente às bandas de fora de São Paulo, que tentem conversar com bandas daqui que tenham a ver com seu som e tentem marcar os shows aqui na região com elas. Se possível, com bandas diferentes.

Não vejo vantagem, por exemplo, em uma banda de hardcore de Fortaleza vir a São Paulo pra dividir uma noite com uma banda de metal em São Paulo. Será uma viagem quase perdida, porque o público da banda de metal provavelmente não vai ver a banda de hardcore e vice-versa (o que é triste, diga-se, mas é o que acontece).

No dia do evento, passar por qual tipo de situação mais te irrita?

Carlos: atraso. Ok, vivemos em São Paulo. O trânsito é caótico, todo mundo trabalha até tarde, tudo é mais difícil, mas temos limite de horário pra música ao vivo aqui no Aurora. Sem falar que atrasar a passagem de som complica todo o funcionamento da noite. Em tempos de Waze, não dá pra entender atraso. E se for atrasar, avisa a gente!

Qual o perfil de artistas que te agrada na hora de realizar a curadoria?

Carlos: o que se comporta como profissional, mesmo que não seja. O que entende nossa proposta, o que entende que também estamos nos sacrificando pra fazer as coisas acontecerem, e que estamos oferecendo a melhor estrutura possível pra isso rolar.

Pedro Azevedo – Audio Rebel

Pedro é produtor no espaço Audio Rebel, no Rio de Janeiro. O local é loja de discos e de instrumentos musicais, estúdio profissional e ainda tem espaço para shows.

Audio Rebel, um espaço multicultural em São Paulo

Felappi e Marcelo Callado na Audio Rebel, em 2016
(Foto/Pedro Serra/https://hitsperdidos.com)

Qual a abordagem mais “bizarra” já teve que passar enquanto programador?

Pedro: são várias. Tem gente que não sabe nem escrever e fica chateado de você não elogiar o release dele. Tem muita gente que tá começando e acha que ser arrogante é uma qualidade, como se pela confiança deles o programador vai ter certeza que é bom o som. Com o volume de material que recebemos acho que daria pra fazer um livro só com esse tipo de “história bizarra”.”

Qual o erro mais comum que os artistas (ou produtores) cometem na hora de negociar (ou agendar) um show?

Pedro: não perceber que é uma via de mão dupla, que para o evento “dar certo”, todos temos que trabalhar em equipe e com dedicação. Outra questão comum é produtor que gosta de dificultar as coisas, tipo você oferece a cerveja, o cara pergunta a marca, você fala a marca ele pergunta se vai ser gelada, aí ele pede duas unidades a mais, aí essas duas unidades teriam que ser cerveja sem álcool e umas das com álcool não pode estar muito gelada… tudo pode virar uma novela.

Outra questão comum é o rider vir simples e na hora ser complicado. Exemplo: Vem na exigência um amplificador de guitarra de 100w, aí dois dias antes do show o amplificador não pode ser Marshall nem Fender, aí você oferece o Laney, mas o cara pergunta se o Laney não é “muito grave” e que preferia um “British“…”

Para você qual a melhor maneira de fazê-la?

Pedro: reúna as coisas essências para o seu show e tenha certeza que vai ter elas, se precisar algo mais peça de uma vez e não parcelado.

Saiba que uma besteira desnecessária pode custar o cancelamento do show ou uma grana a menos pra alguém importante da equipe. Além de perder a energia que deveria estar canalizada para a outra coisa.

Rock independente tem espaço no bar Almanaque Urbano

Almanaque Urbano é uma cada do rock independente (Foto/Facebook)

Rubens Adati – Almanaque Urbano

Rubens é produtor cultural no Almanaque Urbano, um dos redutos da cena independente em São Paulo.

Qual a abordagem mais “bizarra” já teve que passar enquanto programador?

Rubens: o artista chegou no bar e perguntou como fazia pra tocar lá. Até aí tudo certo, expliquei que ele precisava mandar algum material do projeto para analisarmos e encontrar uma data. Ele insistiu (bastante) que traria um violão no dia seguinte e iria me mostrar as músicas.

Qual o erro mais comum que os artistas (ou produtores) cometem na hora de negociar (ou agendar) um show?

Rubens: achar que o show está garantido só de vir pedir pra tocar. E para os artistas que não fazem parte do circuito mais ‘mainstream” de casas de show pequenas, achar que precisa pagar para fazer o show ou evento.

Para você qual a melhor maneira de fazê-la?

Rubens: entender que nem sempre o projeto que você faz parte ou produz é condizente com a casa de show na qual você quer tocar ou colocar uma banda.

Entender também que música é trabalho e deve sim cobrar por isso. Equipamentos e ensaios custam caro.

No dia do evento, passar por qual tipo de situação mais te irrita?

Rubens: atrasos. Artistas que pedem coisas inviáveis de acordo com a estrutura de som que o local possui na hora do show. Um rider técnico é sempre muito bem-vindo, mesmo que megalomaníaco (risos).

Considerações finais

Se você chegou até aqui, certamente percebeu que amadorismo e estrelismo não levam sua banda a lugar nenhum. Em contrapartida, percebeu que não é preciso um esforço sobrenatural para conseguir atender às demandas da indústria de shows.

Saiba que aqui na coluna Dicas de Carreira, nós temos alguns tutoriais que te ajudarão a dar uma guinada profissional na sua carreira. Neste link, por exemplo, você vai descobrir como escrever um bom release. Mas se você quiser saber como produzir as melhores fotos de divulgação, esse post é o seu lugar.

Agora é com você, bravo guerreiro da novíssima música brasileira! Ah, e nãos e esqueça de compartilhar este post nas suas redes sociais e nos grupos de WhatsApp voltados para carreira artística. Certamente, muita gente precisa ficar por dentro desse rolê 😉