Um ano depois de vencer o Time4Music, festival que promove a música independente, o cantor e compositor paulistano Felipe D’Orazio lança o seu EP de estreia. Batizado Prisma, o trabalho conta com seis faixas autorais e sinaliza um novo conceito acerca da música pop.

Capa do EP Prisma, trabalho de Felipe D'Orazio

Com o EP Prisma, Felipe D’Orazio desponta como inovação no pop nacional (Divulgação)

Já na faixa de abertura, a balada Lapidário, a voz de Felipe se transforma em um bálsamo que acalma os corações aflitos e indecisos. Com uma interpretação segura e cheia de ternura, ele mostra as diferenças entre saber cantar e ter o dom da interpretação. Na sequência, a intrigante Quem promove uma série de questionamentos que despertam os que ainda moram no lado vazio da vida. Observe as perguntinhas a seguir e tente entender qual caminho você segue.

“Quem vai andar, quem vai correr?
Se permitir ou se prender?
Se perdoar, se conhecer?
Vai resistir ou se envolver?”

O primeiro single do EP é a faixa Espero. Trata-se de uma canção à lá Michael Jackson, isto é, uma música conduzida por um groove de baixo e emoldurada por guitarras incisivas. Ah, a faixa também tem econômicos lampejos de soul music. Impossível ouvir uma única vez, conforme pode ser atestado no clipe abaixo.

Com inspiração nos vocais típicos do gospel, a faixa Amar Simplesmente é o momento de maior intensidade do EP. Do alto de sua competência, Felipe entrega uma interpretação emocionante, arrebatadora e, de quebra, ainda oferece o guia definitivo para se ter relacionamento feliz, positivo e que agregue valor.

Felipe D'Orazio faz música pop sem ser clichê

Música pop de Felipe D’Orazio é inovadora (Foto/Facebook)

Por fim, mas não menos importante: Prisma é um EP repleto de canções dançantes, envolventes e sedutoras. Porém, não é apenas mais um trabalho feito para emplacar hits nas rádios e playlists de música pop.

Os arranjos abrem mão de clichês e apostam em em nuances mais orgânicos e humanizados. Com bastante maturidade artística, o artista abre mão de discursos rasos e entrega músicas reflexivas, autocríticas e que versam sobre as dores e delícias de viver a vida adulta.

No final das contas, Felipe D’Orazio joga por terra o mito de que música pop é uma sucessão de batidas eletrônicas e letras que vão do nada para o lugar nenhum.