Já ouviu falar nos tais “tesouros musicais” que de vez em quando as pessoas descobrem? Pois é, o indie brasileiro tem uma verdadeira preciosidade e você precisa conhecê-la!

Essa artista tão talentosa é natural de Congonhinhas, interior do Paraná. Seu nome é Gabriela Cordeiro de Paula, mas ela atente por MUM – um termo que vem da abreviação de “Mais Uma Mulher”. Curiosidade: quando representado por escrita e sonoridade, MUM tem mais dois significados: a mãe (“mum” do inglês) e a lua (“moon” do inglês). A tríplice da mãe, da lua e da mulher une três pontos chaves nas composições da cantora.

Cantora MUM é clicada por A sutileza da névoa

A nebulosidade de MUM é registrada pelas lentes de @luzzca (Foto/Facebook)

A proposta musical de MUM é audaciosa, inovadora e desafiadora. Em suas canções, ela mistura as modernidades do indie rock com pop, folk e dark jazz, mas sem dispensar alguns elementos da música erudita moderna. Cantadas em inglês e português, as letras das composições transitam entre temas sobre auto-aceitação e críticas construtivas.

MUM se define como “nebulosa” e “cinzenta”. Partindo dessa definição biográfica, compreende-se que ela entrega um conteúdo lírico e que transita entre o cru e palpável, passa pelo obscuro, flerta com a melancolia e descansa no metafórico/ fantástico. Essa riqueza sonora é fruto das mentes e talentos dos músicos Rafael Arcoverde (guitarra), Walace Matheus (baixo), Lorena Smiguel e Aline Garabeli (piano/synts), Wlader Better (bateria) e Luna Lazuli/Cristian Oliveira (violino).

A cantora MUM, durante apresentação ao vivo

MUM mostra sua arte com a ajuda de uma banda espetacular (Foto/Facebook)

Por definição, o artista de vanguarda é aquele que produz a ruptura de modelos preestabelecidos, defendendo formas antitradicionais de arte e o novo nas fronteiras do experimentalismo. Na estrada desde 2017, MUM já injetou doses vanguardistas na novíssima música brasileira por meio do EP Nebulosa e do single Um Corpo É um Corpo – ambos lançados em 2019.

MUM lançou seu EP de estreia, Nebulosa, em junho de 2019

Capa do EP de Nebulosa, EP de estreia de MUM (Foto/Ana Istschuk)

Segundo ela, as canções do EP “tratam a relação do eu passado com o eu presente, é sobre estar presa dentro de uma moldura de madeira, olhar no espelho e ver olhos de outra pessoa”. “Eu comecei a escrever essas músicas numa fase “nebulosa” da minha vida, cinzenta, por isso o nome e as definições. Eu acredito que falar sobre as relações que eu tive comigo mesma nesse período através da música me fez conseguir quebrar o espelho e libertar meu verdadeiro eu dele”, completa. Por sua vez, Um Corpo É Um Corpo mostra uma artista bem resolvida e, de quebra, dá uma lição na turma que comete a podridão chamada “gordofobia”.

Relatos indicam que as performances ao vivo de MUM são carregadas de sentimento e verdade. Por essas e outras, devemos ficar de olho na agenda dela. Quando essa artista tão ímpar passar aí nas redondezas de sua cidade, não perca a oportunidade de conferir o show! Afinal de contas, não é todo dia que damos de cara e ouvidos e com artistas que fazem a performances que conectam música e alma…