Cria do bairro A.E. Carvalho, Zona Leste da Cidade de São Paulo, o rapper Preto também é Mc, historiador e fundador do grupo Zamba Rap Clube, um rolê artístico que faz há mais de 10 anos. Em seu primeiro trabalho solo, o artista segue apostando no discurso politizado e caminha na direção contrária da pegada mais romântica que dita os tons das rimas do hip hop moderno.

Preto sabe que “o mundo é diferente da ponte pra cá”, como cantou os Racionais (Foto/Facebook)

Em seu voo solo, materializado no disco “Canto Negro”, o rapper mostra suas influências de samba, jazz e música pop. Com bastante acidez e sem dar refresco pra ala corrupta e injusta da classe dominante, Preto aposta em versos que denunciam as faces problemáticas da sociedade brasileira. No decorrer das 11 músicas do álbum, não faltam rimas sobre intolerância, racismo e desigualdade.

Preto é voz de resistência (Capa/Arte: Emerson Toco)

Entre os destaques do disco está faixas “A Cor da Alma” , uma espécie de [indignado] tributo à vereadora e militante Marielle Francisco da Silva, brutalmente assassinada em 2018. Já a música “Ocupando Após Diáspora” está no mesmo patamar das músicas dos Racionais MCs. Outros grandes momentos do álbum são a faixas “Canto Negro” e “Mais Um Menino Preto”, cujo belo clipe é uma chuva de rimas contra o racismo.

Por fim, mas não menos importante: com seu trabalho, Preto não tem a menor pretensão de reinventar o discurso de protesto ou de aniquilar a pegada romântica que joga os holofotes do sucesso comercial na cena do hip hop atual. Com suas rimas vorazes, certeiras e existenciais, ele chega para mostrar que o rap continua sendo uma das principais linguagens de contestação.