Formada por Noogh (vocal), Marcos Kleine (guitarra), Leandro Pit (guitarra), Will Oliveira (baixo), Rodrigo Simão (teclado) e Thiago Biasoli (bateria), a banda PAD lançou seu disco de estreia em julho de 2018. Batizado “O Som e a Cura”, o álbum é um antídoto contra a “eterna falta do que falar” que as vezes ronda o rock nacional.

O Som e a Cura – PAD (Capa Bruno Solera Ciaco)

A abertura do álbum parece ter sido milimetricamente pensada para conquistar até mesmo os ouvidos mais exigentes. Intitulada “Esse Quam Videri” (expressão do latim “Ser, ao invés de parecer”), a primeira faixa do disco é um desfile de guitarras sobrepostas, notas inesperadas e frases maduras. Na sequência, o nível permanece elevado com a música “Sem Destino”, uma avalanche sonora que vem com uma bateria fervorosa e guitarras em pizzicato.

PAD é vida inteligente no rock nacional (Foto/Facebook)

O primeiro single do disco é a instigante “Eu Sou  Cara”, que funciona como um reconhecimento ao esforço sagrado dos brasileiros que fazem o país girar. Além do ótimo conteúdo expressado na letra, a música conta com a participação do guitarrista Luiz Carlini, um mestre do rock nacional. Com sua genialidade de sempre, Carlini injeta charme do lap steel no arranjo da canção.

Sucedendo uma introdução cheia de licks hipnóticos, o arranjo da música “Esse É O Amor” conduz nossos ouvidos para uma atmosfera AOR [Adult Oriented Rock]. Se fosse cantada em inglês, essa faixa facilmente caberia em um disco do Journey ou do Toto. #Fika Dika: o solo que encerra a faixa é um convite para a prática de air guitar.

Por fim, mas não menos importante: com arranjos bem arquitetados, arrojados e desafiadores, o sexteto oferece músicas com qualidade ímpar. Sempre em alto nível, as letras transitam por vários assuntos e entregam ao ouvinte mensagens que facilitam a “alucinação de suportar o dia a dia”, como cantou Belchior. Se você faz parte do tribunal que insiste em sentenciar o pop rock nacional à morte, a PAD está aqui para te sugerir uma revisão em seus conceitos.