A diferença entre samba e pagode intriga muita gente há tempos, até mesmo quem é do ramo. Afinal, mesmo intérprete de vários sucessos, Zeca Pagodinho quando questionado por Jô Soares sobre as diferenças entre os estilos, respondeu de maneira confusa. 

Do mesmo modo do vídeo, a dúvida continua sem resposta definida, pois, apesar de parecer simples, é mais delicada do que parece. Então, explicaremos os detalhes de cada gênero e suas diferenças, para que, ciente disso, você possa escolher qual dos dois estilos adotar em sua composição. Vamos lá?

História e tradição: afinal, o que é o samba?

Primeiramente, o samba é considerado como um dos representantes da cultura nacional, fruto da mistura entre a música africana e europeia, como a polca. Assim, possui formas diferenciadas de execução ao longo das regiões do país, sobretudo na Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo. 

Em termos de sonoridade, apresenta traços vindos dos batuques, da capoeira, das canções populares nacionais, das tradições religiosas e rodas de dança africanas. Alguns dos instrumentos utilizados para sua composição são o pandeiro, surdo, tamborim, cavaquinho, agogô, cuíca, violão e a flauta transversal.

Antes de ser o samba como conhecemos hoje, compositores como Chiquinha Gonzaga e Heitor Villa-Lobos já utilizavam esses ritmos, mas aproximavam-se mais do choro. Nesse sentido, o ritmo cadenciado possuía letras românticas, exaltação da pátria e temáticas sociais. 

Sucesso e reconhecimento do gênero

Embora suas raízes sejam baianas, o samba migrou para o Rio, capital na época, sendo levado pelos escravos libertos que buscavam uma vida melhor. Nesse meio tempo, o estilo não era muito bem visto e ainda existia repressão sobre seus intérpretes. Apesar disso, nos anos 30 o gênero se tornou bastante popular, nacional e internacionalmente, com presença nas rádios e em projetos de Getúlio Vargas.

Em seguida, essa ascensão fez com que o samba alcançasse o patamar de elemento da identidade cultural, marcado pelo carnaval e desfiles das escolas. Ao mesmo tempo, acontecia um movimento de remoção dos traços africanos do gênero, espalhando ainda mais o ritmo pelo país. Desse modo, nomes como Noel Rosa, Carmem Miranda despontaram, ao lado de outros ícones como Cartola, Bezerra da Silva, Nelson Cavaquinho e Ataulfo Alves.

Logo depois, o samba seria marcado por recordistas em vendagens de disco, como Originais do Samba, Beth Carvalho, Clara Nunes, Martinho da Vila e outros. Assim, a explosão do ritmo resultaria no nascimento de derivações do gênero, como o samba de gafieira, bossa nova, samba-rock e o pagode. 

A renovação do samba: o pagode

A partir dos anos 70, os sambistas passaram a se reunir no “fundo de quintal” de residências, fazendo oposição às rodas de samba dos clubes. Assim, nascem os pagodes de mesa no Rio de Janeiro, organizados por Arlindo Cruz e demais músicos, virando febre na década seguinte. 

Aqui, o samba assume uma nova roupagem, com melodias mais requintadas, o surdo substituído pelo tantã e o cavaquinho como estrela das melodias. Acompanhado de cadência repetitiva e sons mais eletrônicos, o pagode revelou nomes como Fundo de Quintal e Jorge Aragão, líderes das paradas nos anos 80.

Do mesmo modo, com os caminhos mais abertos para o gênero, Zeca Pagodinho estreou no fim dos anos 80, consolidando o gênero na mídia. Porém, é em 90 que o pagode tem seu ápice, com a incorporação de letras românticas vindas das cenas de São Paulo, Minas e Rio. 

Assim, o pagode romântico ou paulista, incorporou instrumentos do pop internacional da época, como o teclado eletrônico e o saxofone, além de samplers de outros clássicos. Então, os programas de TV dos domingos passaram a contar com conjuntos de sucesso, como Só Pra Contrariar, Exaltasamba, Art Popular e Raça Negra. Além disso, o Raça Negra também incorporou elementos do soul, com bateria, baixo elétrico, saxofone e sintetizadores, criando um novo pagode.

Porém, o declínio do gênero veio com os anos 2000, uma vez que o lançamento de muitos artistas semelhantes saturou o mercado. Por isso, o pagode precisou se reformular para  em um estilo mais universitário, liderado hoje por artistas como Ferrugem, Dilsinho, Thiaguinho e Sorriso Maroto.

Afinal, qual é a diferença entre samba e pagode?

Além de início em épocas divergentes e de representarem movimentos sociais distintos, a diferença entre entre o samba e o pagode não param por aí. 

Nesse sentido, a sonoridade do primeiro é marcada pelas batidas compassadas, violão mais presente e pela flauta transversal que traz o choro para a melodia. Em outras palavras, o samba seria o estilo original que, com sua expansão, possibilitou a criação de outras sonoridades, dentre elas o pagode.

Em contrapartida, o pagode incorpora os metais de outros gêneros, como sax, teclados e outros instrumentos, dando uma roupagem nova à sonoridade do samba. Aqui, a formação de grupos com mais integrantes marcou época, enquanto que no samba, grandes compositores impactaram gerações por letras tristes e de cunho social.

Que tal incluir samba e pagode no seu repertório? 

Depois de aprender mais sobre a diferença entre samba e pagode, já é possível escolher o seu preferido, não é? A verdade é que os gêneros se reformularam e continuam presentes nas trilhas sonoras do nosso dia a dia, embalando tarde ensolaradas e dramas amorosos.

Para curtir os melhores hits, é só ouvir as nossas playlists de pagode e samba e aproveitar o som da nova geração de artistas do gênero. Bora dar o play?