Até bem pouco tempo, a inflexibilidade era uma característica marcante no pop rock brasileiro. Fãs e bandas não costumavam flertar com artistas de outros segmentos musicais ou até mesmo de outras gerações. Nesse cenário relativamente individualista descrito acima, um feat. era algo pouco comum. Consequentemente, os envolvidos no universo roqueiro viviam numa espécie de “bolha”.

Por outro lado, os artistas e adeptos dos demais tipos de música brasileira popular sempre trocaram figurinhas entre si. Logo, nunca foi algo de outro mundo ver ouvir, por exemplo, ecos do sertanejo no território do axé, do pagode, etc e tal. Até mesmo a MPB entregou os pontos e flertou com elementos sonoros de outros segmentos.

Parceria de Detonautas com Lucas Lucco quebrou barreiras no pop rock nacional (Foto/Divulgação)

Em razão das evoluções naturais do mercado e da indústria fonográfica, as barreiras musicais do pop rock foram ficando cada vez mais invisíveis. Diante da baixa venda de discos e das agendas cada vez mais concorridas, a questão de “pensar fora da caixa” ganhou espaço e é uma realidade.

Com base nas reflexões acima, voltemos ao ponto principal desde texto: a questão do feat.. Sendo assim, listamos 3 vantagens incontestáveis que uma parceria pode trazer para sua carreira.

1. Atrair novos públicos

Quando dois artistas fazem um som, o resultado tende a despertar a atenção de seus respectivos públicos. Desta forma, quem curte o trabalho de “fulano” pode ter interesse em prestar mais atenção no trabalho de “cicrano”.

No recém-lançado “Sonora”, por exemplo, o Capital Inicial fez feats. com as bandas CPM 22, Lucas Silveira [da Fresno], Scalene e Far From Alaska. Com as parcerias, os veteranos deram um jeito de estreitar laços com os públicos de três gerações distintas do pop rock nacional. Nos anos 80, quando surgiu no cenário, o grupo brasiliense liderado pelo vocalista Dinho Ouro Preto não registrou duetos nem mesmo com seus conterrâneos e/ou colegas de geração.

Hard core dos Raimundos encontra o axé de Veveta (Foto/Divulgação)

Outro case de feat. de sucesso está no disco acústico que os Raimundos lançaram em 2017. Em seu álbum desplugado, a  banda de hard core divide a cena com Dinho Ouro Preto [olha ele aí ganhando campo outra vez] e com Ivete Sangalo, diva suprema do axé e autêntica cantora de MPB. Em outros tempos, tais parcerias não teriam muitos motivos para acontecer. Porém, no século XXI os feats. em questão estreitaram os laços entre fãs e artistas envolvido. No fim das contas, todo mundo sai ganhando.

2. Intercâmbio de sonoridades

Desde que apareceu para o grande público, em meados da década, a Supercombo sustenta a condição de ser uma das bandas mais prolíficas do cenário. A bordo do projeto de vídeo “Session da Tarde”, que já está em sua segunda edição, o grupo relê o próprio repertório com o help de outros artistas. E sabe quem já deu as caras lá no programa? Sim: o onipresente : Dinho Ouro Preto!

Duas gerações distintas do pop rock nacional promovem trocas de experiências (Foto/Facebook)

Entre outros frutos, incluindo o item 1 desta lista, a iniciativa traz para a galera do Supercombo a oportunidade de dialogar e conhecer os temperos sonoros de seus colegas de estrada. Com certeza, a banda fica um pouco maior e mais sábia a cada novo feat., pois esse momento permite todas as trocas de sensibilidade, bagagens e modos de se fazer música.

3. Oportunidade de fazer network

Outra vantagem incontestável que um bom feat. proporciona é a “abertura de portas”, lição esta que já foi bem ensinada por artistas da música sertaneja. Já parou pra pensar na quantidade de duetos que Marília Mendonça, Naiara Azevedo, Gusttavo Lima e vários outros fizeram e fazem? É óbvio que além das vantagens citadas nos dois itens anteriores desta lista, os feats proporcionam inúmeras possibilidades de network.

Marília Mendonça gravou até com Gal Costa, uma das vozes de ouro da MPB (Foto -Divulgação / Carol Siqueira)

Se bem planejada e executada com cuidado, a parceria musical tente abrir o leque de contatos com pessoas importantes do cenário. Como uma coisa leva à outra, você pode se aproximar de produtores, escritórios que gerenciam carreiras, contratantes, divulgadores, profissionais da mídia [rádio e TV] e empresários. Por isso, não perca mais tempo e pense na possibilidade de organizar o feat. que vai turbinar sua carreira.

#SuperDica: na era da internet, não existem mais os “muros intransponíveis”. Desta forma, mostrar o seu trabalho para os artistas compatíveis para um feat. de responsa não é tão difícil assim. Seja otimista e saiba que até mesmo um de seus ídolos pode topar fazer um som com você.