Cultura… entretenimento… arte… música. Todas essas palavrinhas são importantíssimas para o dia a dia de quem usa o Palco MP3 como plataforma de divulgação, concorda?

A crise causada pela pandemia do coronavírus tem causado impactos no mercado da musical. Por essas e outras, meu amigo e minha amiga, a nova conversa de hoje apresenta uma reflexão sobre a saúde do setor cultural. Não quero te assustar, mas uma pesquisa da ABRAPE indica um alto risco de colapso.

Esse assunto é muito sério! Sendo assim, jamais poderia ficar de fora do seu radar.

ABRAPE indica colapso no setor cultural do Brasil

O forte impacto da pandemia de coronavírus (COVID-19) no setor de cultura e entretenimento pode gerar um cenário negativo de prejuízos e demissões. Isso é o que aponta pesquisa elaborada pela Associação Brasileira dos Promotores de EventosABRAPE, entidade que representa produtoras e promotoras no Brasil e tem 200 associados.

Plateia extasiada, durante um show de rock

Os grandes shows dificilmente acontecerão em 2020 (Foto/Pexels)

Os resultados preocupantes inspiraram a entidade a iniciar uma campanha para que as pessoas não solicitem o estorno de pagamentos de ingressos. Um plano de ação também está em andamento para sensibilizar o Governo Federal sobre a necessidade de medidas urgentes para evitar o colapso do segmento.

Números apontados na pesquisa são preocupantes

De acordo com o estudo da ABRAPE, 51,9% dos eventos programados para 2020 foram cancelados, adiados ou estão em situação incerta. Outro dado relevante aponta que 92% das empresas já sentem ‘no bolso’ o impacto e somam perdas que podem chegar a R$ 290 milhões, considerando-se apenas o universo das associadas ou cerca de R$ 90 bilhões se estimarmos a indústria nacional.

“Esse novo cenário, que a cadeia produtiva do setor de entretenimento está experimentando amargamente, é algo sem precedentes. Estamos falando de aproximadamente 300 mil eventos que deixarão de acontecer e milhares de empresas que apresentarão prejuízos financeiros”, ressalta o presidente da ABRAPE, Doreni Caramori.

Diferente de outros mercados (menos) atingidos pela crise, o do entretenimento vive de capital de giro, teve as receitas reduzidas a zero, foi o primeiro a parar de operar e, certamente, será o último nas prioridades de liberação após a quarentena.

A estagnação da cultura e do entretenimento, em decorrência das medidas de combate ao novo Coronavírus, não só congelaram o setor como também jogaram um enorme “balde de água fria” nas boas perspectivas dos empresários, que apostavam em receitas 6,15% maiores em 2020, mesmo com a crise econômica que o país já vinha enfrentando.

Onda de demissões afoga o setor

Os associados da ABRAPE empregam hoje em torno de de 211 mil profissionais diretos. E cada uma dessas ocupações formais geram outros 32 postos de trabalho indiretos para artistas, freelancers e Microempreendedores Individuais (MEI). Um ecossistema que, de acordo com os dados da Associação, vai ser prejudicado exponencialmente, pois 61% dos produtores não terão como manter o quadro atual de colaboradores.

Técnico de áudio diante de uma mderna mesa de som, controlando a sonorização de um teatro

O técnico de áudio está entre os profissionais da indústria abalados pela crise (Foto/Pexels)

A pesquisa, segundo Doreni, mostra ainda a extensão e a gravidade da crise na empregabilidade. Os números indicam uma estimativa de demissões de 30% dos colaboradores diretos do setor de eventos. “Se considerarmos a população total de trabalhadores, algo em torno de 1,9 milhões de empregos, estamos falando em 580 mil demissões previstas”, destaca.

Mediadas para segurar os impactos da crise

Além de sensibilizar os consumidores sobre a importância da não devolução dos valores de ingressos comprados, a ABRAPE trabalha com o objetivo de levar às autoridades os pleitos mais latentes do mercado e assim tentar amenizar a crise instalada.

Entre as propostas que já estão sendo debatidas, destaque para a tentativa de regulamentação de regime temporário extraordinário simplificado para a suspensão de trabalho por falta de recursos financeiros (lay off) às empresas que apresentem uma queda de receita igual ou maior do que 30%, revela Doreni.

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A Associação também está pleiteando carência de 180 dias para os tributos que estão sendo pagos (ou parcelados) oriundos de acordos pregressos. E a criação, junto ao sistema financeiro oficial, de linhas de créditos para concessão de capital de giro, com carências, prazo dilatado e condições subsidiadas, como forma de suprir o fluxo de caixa necessário aos cancelamentos/transferências de eventos.

Contudo, uma das pautas mais importantes da ABRAPE, ressalta Doreni, é a possibilidade de isenção fiscal de impostos a partir da retomada dos trabalhos. “Já está em tramitação na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 676/20, que busca, justamente, alíquota zero para as atividades de aviação, turismo e entretenimento por 12 meses”. O projeto, de autoria do deputado Felipe Carreras (PSB-PE), prevê a isenção de PIS/Cofins; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e Imposto sobre Serviços (ISS).

Sobre a ABRAPE

Criada em 1992 com o propósito de promover o desenvolvimento e a valorização das empresas produtoras e promotoras de eventos culturais e de entretenimento no Brasil, a Associação Brasileira dos Promotores de Eventos – ABRAPE tem, atualmente, 200 associados, que são verdadeiros expoentes nacionais na oferta de empregos diretos e indiretos e na geração de renda, movimentando bilhões de reais anualmente.

A entidade congrega as principais lideranças regionais e nacionais do segmento, tem no portfólio de associados empresas como a Opus Entretenimento e mega eventos, como o Festival de Verão de Salvador e a Festa do Peão de Boiadeiros de Barretos.