Nome importante na cena independente mineira, a Riviera acaba de lançar seu terceiro EP. Intitulado “Aquário”, o disco reúne sete músicas autorais e que honram as duas características primordiais do trabalho do grupo: o peso do som e as letras viscerais. Em sua encarnação atual, a banda é formada por Vinícius Coimbra (guitarra/voz), Rapha Garcia (baixo), Rafa Giácomo (guitarra) e David Maciel (bateria).

Disco apresenta dualidades da vida (Imagem/Divulgação)

Ao longo das letras, a banda reflete sobre as delicadas questões que envolvem saúde mental. Sem medo de encarar a seriedade dos fatos, o guitarrista e vocalista Vinicius Coimbra derrama versos que lidam com angústia, depressão e dualidades impostas pelas tendências da vida contemporânea. Os arranjos são inovadores e, felizmente, bem diferentes de uma boa parte do que é visto no cenário atual do rock brasileiro. Experiente e sagaz, o quarteto sabe estabelecer a conexão artística entre as convicções musicais de cada integrante e as tendências internacionais do rock moderno.

Riviera faz um som inovador (Foto/Vitor-Macedo)

Lançada ainda em 2017, a instigante “Entre O Ser e o Que Convém” foi o primeiro single do disco. Dona de um refrão contagiante, essa faixa aborda a questão das “máscaras sociais” que usamos para suportar o dia a dia. Por sua vez, com destaque para a química entre os responsáveis pela “cozinha da banda” – o baixista Garcia e o batera Maciel – a pesada “Do Céu ao Mar” abre o álbum escancarando a temporalidade das coisas.

A visceralidade do discurso da banda continua na faixa “Temporário”, uma das músicas mais bem arquitetadas do álbum. Trata-se de uma canção que começa de uma forma relativamente minimalista, mas vai desabrochando ao longo dos versos. Sem a menor dúvida, musicalmente falando, o ponto alto dessa canção é a performance de Coimbra, que não se faz de rogado e apresenta perfeito domínio sobre técnica vocal.

Com ecos de grunge, “Indefinível” é emoldurada por um timbre de guitarras pesado e “sujo”. Em combinação com o cenário niilista do arranjo proposto pela banda, e letra da música apresenta um sombrio teor de inquietude. Como resultado final, a mente do ouvinte é transportada para uma época em que as bandas tinha maturidade, inteligência e ousadia para elaborar conteúdos tão densos e pessoais.

Banda sabe soar de maneira melódica, porém brutal (Foto/Facebook)

Por fim, mas não menos importante: o som da Riviera é uma experiência sensorial. Com bastante destreza, o quarteto faz músicas que exorcizam os mais temidos demônios interiores. Em tempos de tanta descrença no rock nacional, esses “mineiros maneiros” mostram que há vida inteligente na novíssima música brasileira.