Formada por Tiago Saci (voz/guitarra), Diego Gomes (baixo), Igor Souto (guitarras), Rodrigo Micheli (violão/voz) e Rodrigo Viana (bateria), a Viena é uma das forças do rock que vem do Recife. Depois de lançar alguns singles acústicos e o álbum “Estimulantes Anestésicos”, esses pernambucanos arretados acabam de lançar um novo trabalho, o disco “Loquaz”.

(Divulgação)

Já na faixa de abertura, “Coração de Plutão”, a banda mostra que não está pra brincadeira. Meio grunge e meio hard rock, a faixa é um festival de metáforas sobre o desespero que é viver em um apocalíptico cenário esmagado pela era da internet das coisas. Dando uma quebrada no clima arrasa quarteirão da primeira música do álbum, a balada “Gaiola” quase confunde os ouvidos mais atentos. Felizmente, a boa letra e o ótimo arranjo de guitarra servem de ótimos incentivos para a continuação do streaming.

É rock pra quem gosta de rock (Foto/Facebook)

Já na genial “Amigo”, a banda aplica a batida mais acústica do rock mais anos 60 em uma letra bastante ácida. Com ligeiras doses de ironia, a canção é crítica perfeita aos que desejam viver esmagados pelo terceiro mundo digital. Por sua vez, “Não Sou Perfeito” recupera a pegada roqueira do álbum e “mete o pé na porta”. Ainda que não seja intencional, versos como “Eu nunca aprendi inglês”, “Não tenho vocação pra ser burguês” e “Eu nunca gostei de ler livros” facilmente caberiam em alguma canção da saudosa banda Charlie Brown Jr.. Como referência é diferente de cópia barata de rascunhos malfeitos, a faixa é mais um gol de placa dos pernambucanos.

Por fim, mas não menos importante: “Loquaz” é um disco que mostra uma banda entrosada e de muito bom gosto. Além de ser bem produzido, o álbum conta com um bom repertório e com ótima execução musical. Cientes sobre aonde querem estar quando o futuro acontecer [e certamente não é no limbo artístico], os caras do Viena honram as tradições da sempre frutífera cena pernambucana. A novíssima música brasileira agradece!