Para você, o que o funk carioca representa? Mesmo dentro do Brasil, o ritmo brasileiro divide opiniões. De um lado, há aqueles que se sentem representados pelas canções. Do outro, os que se sentem ofendidos e julgam o estilo. Paralelamente, um fato do universo da moda chamou atenção: o desfile da grife Mugler com um funk não comercial.

Não, você não leu errado! A grife francesa viralizou nas redes sociais e no mundo por causa da escolha da trilha sonora para um de seus desfiles. E aí, ficou curioso ou curiosa para entender melhor o que aconteceu? Vem neste Giro do Palco com a gente para saber mais sobre o que houve. Confira a seguir!

O que aconteceu com a grife Mugler?

A grife Mugler chocou a todos quando, no seu fashion film, trouxe as modelos desfilando ao som de um funk proibidão. A música escolhida foi um lançamento de 2019 de MC Lucy e DJ Gabriel do Borel. Imagine o impacto que toda essa performance gerou.

Em entrevista a Vogue, Casey Cadwallader, diretora criativa do desfile que aconteceu no dia 08 de junho, explica sua decisão. Em síntese, ela conta que está cansada da seriedade. Isso sem falar em como a escolha da música reflete uma decisão da grife. Tanto para fortalecer a imagem sensual, como para descontrair.

Paralelamente, nas redes sociais, a performance deu o que falar. O vídeo no Instagram tem mais de 8 milhões de curtidas, com vários brasileiros prestando a sua homenagem.

Vale lembrar que a grife Mugler já havia tido a sua estreia no Brasil. As cantoras Iza e Anitta já haviam utilizado algumas peças em eventos.

Quando o funk carioca surgiu?

Ainda que o funk carioca seja visto por algumas pessoas como negativo, é um ritmo de origem brasileira. Isto é, ele faz parte da nossa cultura e representa a realidade de várias pessoas do nosso país. Tanto que foi justamente com esse propósito que ele surgiu.

Em resumo, nos anos 80, o estilo dominou as comunidades. Com a sua mistura de rap, hip hop, música eletrônica e poesia, ele falava sobre o cotidiano dos subúrbios. Como resultado, gerou identificação e abraçou toda uma população por vezes marginalizada.

Ademais, nos anos 90, com o aumento da violência, adquiriu, também, viés político. Em outras palavras, as canções se tornaram uma forma de protesto e de reivindicar por direitos. Como exemplo podemos citar a música Eu só quero é ser feliz, de MC Cidinho e MC Doca.

Foi só no início dos anos 2000 que as letras mais voltadas ao sexo ganharam destaque. As frases com efeito se tornaram prioridade. Desse modo, hits como Atoladinha, de Bola de Fogo e Tati Quebra-Barraco dominam os palcos. Fora O Baile Todo, do Bonde do Tigrão.

Vale lembrar que, até mesmo dentro do funk carioca, surgiram outras subdivisões que geraram novos estilos.

Quem é MC Lucy?

Voltando ao acontecido da grife Mugler, MC Lucy é uma das vozes da música. Nascida e criada na zona norte do Rio de Janeiro, a garota de só 19 anos chama atenção pelos seus funks acelerados.

Em 2021, ela produziu o seu primeiro álbum, que contou com a participação de nomes famosos do cenário do funk. Como Kevin O Chris, MC Cabelinho, MC Cinquenta, Bielzinho, entre outros.

Em paralelo, a cantora se tornou conhecida por outros hits que emplacaram. Como Se Eu Engravidar A Culpa Não é Minha, A Menina e Sento no Bico da Glock. As três canções ocuparam o ranking das mais ouvidas no funk 150 bpm.

Quem é o DJ Gabriel do Borel?

Gabriel Luiz dos Santos ou DJ Gabriel do Borel é produtor e MC. Ao lado de MC Lucy, gravou Se Eu Engravidar. Mas não pense que para por aí. Com MC Mirella, eles deram vida a Cria de Favela. Com MC Rick, Surta Tchuca, entre outros sucessos. Mesmo com só 23 anos, o artista do morro do Borel já é uma das promessas do estilo. Além de ter aprendido tudo sozinho, ele já produziu, até mesmo, uma música só pelo telefone. E acredite, a canção Sentadona, com MC Frog e Davi Kneip foi um sucesso.

Escute o funk carioca aqui no Palco MP3

Ao longo deste conteúdo, falamos sobre o desfile da grife Mugler, que contou com um funk proibidão entre as trilhas. Lançada em 2019, a música escolhida foi de MC Lucy e DJ Gabriel do Borel. Em entrevista, a diretora criativa do evento contou que viu na canção uma oportunidade de descontrair. 

Além do mais, de reforçar a sensualidade da marca. Esperamos que você tenha gostado do recorte que trouxemos!

E aí, quer conhecer mais do cenário do funk carioca aqui no Brasil? Confira a nossa playlist e aproveite!